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Aminoácidos BCAA e substâncias ergogênicas

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O uso de substâncias ergogênicas, palavra derivada do prefixo grego "ergon" (trabalho) e "Gênese" (criação), já está intimamente infiltrado no mundo esportivo e, trazendo mais dúvidas do que certezas. Atualmente nota-se uma procura exagerada por esses produtos de forma indiscriminada. Em que situações é necessário ou não usar algum tipo de substância para melhorar o rendimento? Até os desenhos animados estão cheios de exemplos de performances fáceis como o espinafre do tipo Popeye e a poção mágica do Asterix.

Dentre esses recursos, o BCAA é um que em alguns casos o uso pode ser válido ou não.

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No meio dos atletas de provas de longa duração, é bem difundida a ingestão de carboidratos cujo resultado positivo é fato bem documentado na literatura. Por conta disso os jantares de massas tornaram-se populares na véspera das maratonas mais importantes do mundo. Entretanto ainda existe dúvida e muita discussão a respeito das proteínas e seus componentes, os aminoácidos. Entre os 9 essenciais, três vêm merecendo atenção especial dos estudiosos e os esportistas: a isoleucina, a leucina e a valina. BCAA do inglês Branched Chain Amino Acids. Por apresentarem cadeia carbônica ramificada são simplesmente chamados de aminoácidos da cadeia ramificada.

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Na alimentação normal os BCAAs estão presentes nas carnes bovina e suína, nos ovos e queijo. Das 20g de proteínas de cada 100g de carne, 4g são de BCAA e as necessidades diárias, segundo a O.M.S. (Organização Mundial de Saúde) para as pessoas não ativas são de 1g/Kg de peso do corpo enquanto os atletas necessitam de 1,5g/Kg de peso. Por ser uma das funções das proteínas reconstruir os tecidos, especula-se que a ingestão de BCCAA poderia exercer essa função após as provas de longa duração evitando e ou amenizando o efeito do catabolismo no músculo.

Alguns estudos dão conta que a ingestão de 12 a 15 g por dia de BCAA após treino forte podem acelerar o reparo dos microtraumatismos musculares decorrentes da atividade física, assim como aumentar os níveis do hormônio masculino testosterona que sabidamente tem efeito anabólico (crescimento). Entretanto, esses estudos carecem de provas mais conclusivas.

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O atleta de longa distância, principalmente o maratonista costuma sentir uma sonolência por volta do 28º quilômetro ou depois de 1 hora e meia de corrida.

Segundo a ciência deve-se a um aumento de outro aminoácido chamado triptofano que estimula a produção da serotonina, um neurotransmissor responsável pela fadiga central. A ingestão de BCAA uma hora antes da largada e um comprimido a cada hora de atividade, segundo o Grupo de Oxford liderado pelo Dr. Eric Newsholme, pode impedir a maior captação de triptofano pelo sistema nervoso central promovendo aumento da resistência ao esforço. Esse trabalho foi demonstrado pelo Dr. Antônio Herbert Lancha Júnior Ph.D. no Simpósio de Ciência do Esporte realizado em agosto de 1995 no Rio de Janeiro e São Paulo. Propunha-se a ingestão de BCAA respeitando o relógio biológico onde os melhores momentos seriam logo após o treino forte, como citado, ou antes de dormir, porque durante as primeiras horas do sono (paradoxal) teoricamente há um aumento do hormônio de crescimento (GH), fator importante na síntese das proteínas permitindo melhor aproveitamento dos BCAA. Pesquisas anteriores mostraram bons resultados no retardo da fadiga apenas em atletas sem resistência para as longas distâncias propostas. Ou seja, destreinados. Em atletas bem treinados não houve diferença significativa. (Blomstrand et al, 1991).

Outro benefício evidenciado foi na resposta imune nos esforços mais estressantes. A suplementação com BCAA pode impedir ou reverter a queda da glutamina, um aminoácido indiretamente responsável pelas defesas do organismo e que comprovadamente diminuem após grande esforço físico, razão pela qual não é raro maratonistas ficarem gripados após provas extenuantes. Entre os esforços que também podem ser extenuantes nas atividades de academia, dependendo do fundamento da aula, está o spining, cuja base do programa é o treinamento intervalado.

A discussão está longe do fim pois atletas bem treinados e com um bom acompanhamento nutricional conseguem resultados expressivos. Como pelo menos até agora não existe comprovação de efeitos colaterais perigosos, a prescrição de ergogênicos deve ser feita de forma criteriosa por profissional habilitado. A necessidade caso a caso pode existir ou não. Para os simples mortais, a feira e o açougue ainda é o melhor lugar para se comprar o combustível da máquina humana. Pense nisso para não jogar dinheiro fora.

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Créditos:
Texto copyright © 2003 por Luiz Carlos de Moraes CREF/1 RJ 003529
lcmoraes@petrobras.com.br | lcmoraes@compuland.com.br
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Leitura adicional:
BCAA - Leucina, Valina e Isoleucina
Proteínas e Aminoácidos - Proteína vegetal x Proteína animal na dieta

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